Linhas idiotas.
Linhas idiotas que me fazem querer gritar.
Gritar. Gritar sem falar. Gritar dentro da minha mente.
Já grito a tanto mas nunca ouvi som nenhum.
Na verdade são muitos sons.
Tantos, que se tornam nada.
Nada que não é vazio.
Nada que é cheio de coisas vazias.
Coisas sem nexo, inconsistentes e inerentes.
São cacos de vidro que já foram agrupados e quebrados.
E agrupados e quebrados.
E agrupados e quebrados.
E agrupados e quebrados.
Malditos cacos de silício que me furam por vezes.
Sorrio, mesmo com o sangue latejando pelas feridas.
Milhões de hemoglobinas indo embora.
Indo embora para o nada levando meu oxigênio.
É tudo como monóxido de carbono.
Instável.
Que rouba o único oxigênio presente na hemoglobina.
Carbonizando meu cérebro.
Mas não o lóbulo frontal, não o cerebelo.
Isso é um tumor emocional.
É um câncer que atinge a alma.
Fazendo do meu corpo um hospedeiro.
Um hospedeiro que me faz querer ir embora, mas não para longe.
Ir embora, mas ficar aqui mesmo.
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